março 01, 2016

Irmãs

Joana queria muito uma irmã. Já tinha 10 anos e os pais ainda não lhe tinham feito a vontade. Diziam-lhe que era muito caro ter outro filho. Diziam-lhe que ainda era cedo. Diziam-lhe que não sabiam se queriam mais filhos. Diziam-lhe que essa não era uma coisa com a qual se devia preocupar.   Devia preocupar-se com a escola e com os amigos. Que ela tinha amigas muito próximas e que essas poderiam fazer a vez de uma irmã. 

Joana sabia que não era assim. Que uma irmã era qualquer coisa de muito grande. Sabia que era uma coisa que queria experimentar! Mas tal como os pais lhe haviam dito: não era uma escolha dela. Da mesada que recebia, poupava sempre uma quantia para ajudar os pais quando resolvessem dar-lhe uma irmã. Tinha um porquinho há muitos anos, e era lá que punha todo o dinheiro que poupava e que os avós lhe davam no Natal. Sabia que ter uma irmã era muito mais importante do que ter brinquedos novos. Todas as coisas novas que poderia comprar logo passariam de moda, mas uma irmã era para a vida.

Os pais não tinham irmãos, e Joana achava isso muito triste. Achava estranho não ter tios e achava mais estranho ainda os pais não refilarem com os avós por não terem irmãos! Segundo Joana ter irmãos era um direito! E tinha aprendido tanta coisa que gostaria de passar a alguém!

Quando os pais lhe perguntavam: "E se for um irmão? Sabes que não conseguimos controlar isso!", a menina decidida deixava-se ficar a pensar um bocadinho...afinal Joana só tinha sonhado com uma irmã. "Também está bem", dizia ela pouco convencida. Achava que só faria sentido se fosse igual a ela, se pudessem partilhar confidências e roupa. Achava os meninos uns chatos. No recreio viviam a implicar com ela e com as amigas. Ia pedir muito ao seu anjo da guarda para ser menina. O anjo da guarda nunca lhe tinha falhado...ainda se lembrava da vez em que pedira ao seu anjinho da guarda - que tinha apelidado de Santiago - que salvasse o avô de uma operação complicada. E Santiago não lhe falhou! Salvou o avô e deu-lhe muitos dias felizes com o avô! Portanto, estava confiante que Santiago a ajudaria!

Agora só faltava convencer os pais de que uma irmã era a melhor prenda que lhe podiam dar. Que não importava se no Natal recebesse menos prendas, que não importava se tivesse de sair da escola privada onde andava. Queria ter uma amiga para a vida, queria saber que o mundo podia cair e ela nunca mais estaria sozinha, queria isso tudo e isso tudo estava à distância de uma irmã!

Beijinhos 




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